Grupos de estudos e "sementes"

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Grupos de estudos e "sementes"

Mensagem  M· Diniz Nemetios em Qui Set 15, 2016 12:15 pm

Desde uns tempos que o tema de grupos de estudo e a preocupação pelo crescimento qualitativo (e quantitativo) de nossa comunidade religiosa ronda a mente dos que trilham tais sendas por mais tempo.

No geral, tal preocupação gerou um encontro informal (afinal, só atenderam nós cá e A. Elisa "Slakkos Abonos") no Solstício de Verão de 2014, a "Assembléia Iberocéltica do Brasil", na qual se pensou e conversou sobre estratégias de integração (em aspectos externos - simbologia, etc. - e internos - doutrina, liturgia, etc.) e fortalecimento de nossas pequenas e tímidas iniciativas, diante de um maior e mais bem estabelecido panorama religioso do que se chama de "Neopaganismo", e mesmo da comunidade druídica, já mais bem organizada e integrada em nosso país.

De lá pra cá, inventou-se um grupo de estudos e uma comunidade na plataforma Google+, onde organizávamos Hangouts (que são vídeo-conferências) mensais, e ao longo de todo o 2015 e 2016, gerou algum resultado: conseguimos agregar mais gente, fortalecer uma base doutrinária e ajudar o início da jornada religiosa de alguns peregrinos, sob as bênçãos do Senhor Lugus, Sábio Condutor pelos Caminhos. Claro que, no andar das carruagens, houveram afastamentos, algumas pessoas descobriram que seus caminhos não eram bem o que acreditam ser. E também, mesmo para os poucos restantes, se clarificou os desafios que nos aguardam enquanto impulso pequeno, movimento ousado, de uma "ousadia" religiosa, um retorno atávico, contra a avalanche do ultra-modernismo, nestes tempos espiritualmente desérticos do ocaso de uma era no Ocidente.

A fragmentariedade (reflexo da fragmentariedade mítica, doutrinal e prática, de uma Tradição religiosa que foi absorvida e/ou interrompida parcialmente pela Romanitas e de maneira mais danosa pela Cristandade) e as necessidades reais de uma vida religiosa o mais integral e genuína possivel, nos levou aos limites da metodologia reconsntrucionista, nos forçando a ver que a organicidade, a "mutação" do que é vivo, é justificável, mais ou menos como é normal uma certa confusão momentânea que abarca a mente da pessoa que desperta após um longo e profundo sono. Estamos atualizando (em um sentido aristotélico), renovando mirando a manutenção e resgate do Tradicional. Não se trata apenas de retomar certas fórmulas religiosas ou de certa indumentária simbólica, mas de retornar (com erros e acertos, naturalmente) e restabelecer certas vigas mestras de uma Cultura, de uma "civilização", se trata de música, danças, comidas, modos de pensar, fazer e entender a poítica, os costumes, de viver e morrer. E esta radicalidade de projeto, quando se tem muita coisa (ou quase tudo) contra, é "titânica" e assombrosa, num certo sentido. Se por um lado, alguns de nós, já caminham deixando para trás qualquer sensação de "artificialidade" ou excentricidade, para além da prisão mental "New Age" do humanismo-politicamente-correto pseudo-angelical, pelos preconceitos cripto-cristãos arraigados e perpetuados em nosso meio social, outros afrontam o desestímulo rodeante de uma solidão causada pelo nosso pequeníssimo número de pessoas, e pelas enormes distâncias que separam os poucos peregrinos. Quanto mais percebemos e sentimos a importância de uma comunidade identitária, de uma *towtā, para uma vida religiosa satisfatoria e resgatamos certas estrutras mentais arcaicas, mais somos obrigados a voltar para enxergar o atual estado de coisas e de nossa pequena comunidade.

Diante de tantos desafios, é imperativo que continuemos e reforcemos alguma forma de fortalecer os grupos de estudo e fomentar, plantar, novas sementes. Há casos em que o solo precisa ser preparado, outros em que já preparado está. Os Deuses Imortais chamam e uma parcela antiga de nossos Ancestrais, e é necessário ter fé nisto, não chamam todos; e mesmo nem temos lá muitos meios de saber quem eles chamam de fato, mas o tempo e os ciclos dos anos nos apontam sinais seguros. O Retorno, se é que podemos falar assim, não será propriamente causado por nós, os Imortais, eles próprios, terão um papel ativo nisto tudo, pelo menos assim creio, no entanto, é nosso dever religioso de serviço, preparar, limpar, reascender os lumes, polir nossas armas e elevar nossas *dawnās, executar feitos prodigiosos que reluzam as Luzes perenes.

Buscar uma ampliação puramente numérica de nossa comundiade religiosa é pôr boa parte disto tudo em um grande risco. A experiência de alguns anos nas comunidades neopagãs, demonstra que, infelizmente, tais grupos tem atraído de forma significativa para si gente complicada ou problemática, seja por nunca haverem deixado a adolescência para trás; seja por reais distúrbios comportamentais que buscam justificar ou legitimar por uma incorreta compreensão de certas visões religiosas arcaicas, que aparentemente chocam ou confrontam certas áreas da moral social corrente, ou por não saberem, efetivamente, o que é uma vida religiosa. Se o homem moderno em seu niilismo compreende que "deus está morto", o ultra-moderno, se quer entende esta sentença e pergunta espantado "Deus, o que é deus?!". A preocupação com "poder pessoal", "ego", soar misteriosamente poderoso-esotérico-controverso, com uma pomposa externalidade fantasiosa, negligenciando a reforma metafísica profunda interior que deveria radicalmente preceder qualquer coisa, é desestimulante. Que cada religião Indo-Européia renascida cuide da qualidade da formação de seus recém conversos, e nós, precisamos, justamente, criar estruturas e meios que permitam que ofereçamos aos recém-convertidos, uma formação religiosa minimamente adequada.

Neste sentido, este ano (2016) pensamos em ajudar a promover grupos de estudo/sementes pelo Brasil à fora. Creio que, naturalmente, Portugal, Espanha já iniciaram ou farão algo semelhante a seus modos, o que é sadio e normal. Não podemos esperar que façam por nós, podemos ajudar ou receber ajuda, claro, mas, fundamentalmente, se trata de uma responsabilidade nossa, no nosso caso. A ideia básica é colaborar na formação de uma comundiade religiosa orgânica, presencial, de fato, real; termos grupos presenciais, no futuro com templos e espaços religiosos próprios (talvez os grupos hinduístas no Brasil sejam um exemplo a ser estudado), onde haja uma convergência (de linhas gerais) doutrinária e prática, mantendo a histórica e ortoprática regionalidade (atestadamente demonstrada na variedade de epítetos, teônimos, simbologia, etc. na Ibéria dos tempos romanos e pré-romanos) dos tempos antigos. Inicialmente, a idéia é que lideranças se reúnam mensalmente para ajudar na organização dos grupos e sementes pelo país, trocar experiências e planejar ações e a observância dos ritos sazonais. Cada estado poderia ter 1 ou 2 grupos independentes, que se reunissem e se fortalecessem internamente, por exemplo.

Mas tudo isto, depende, claro, do engajamento e compromisso real das lideranças e dos interessados em geral. Este fórum pode cumprir um papel importante em colaborar para isto (estamos vendo se conseguimos operacionalizar os áudios como estímulo para grupos de estudo locais). Que as naturezas intelectuais-sacerdotais e de liderança (os da primeira função dúmeziliana?) sintam-se chamados, que os guerreiros cerrem nossas fileiras e que os produtores sintam-se convocados ao trabalho!

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