Ara votiva

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Ara votiva

Mensagem  M· Diniz Nemetios em Qua Fev 08, 2012 6:17 pm

Saudações.

A confecção de aras votivas é uma prática romana. No entanto, a enorme difusão destas pela zona da península ibérica, em especial na zona atlântica, atesta claramente que fora uma prática incorporada a religião céltica (no culto de todas as camadas sociais) da região, como mostram as abundantes aras com teonímia céltica (como a recente ara de Viseu, toda em idioma céltico retendo apenas a última fórmula latina de dedicação). As aras são por um lado, monumentos votivos (entregues em cumprimento de um voto) e por outro lado, altares dedicados a um deus ou deusa, ou grupo de deuses; e como altares, são locais de oficialização de ritos, tendo - às vezes - espaços claras em seus topos para escorrimento de libações e para a acomodação de pequeno fogareiro ou recipiente de fogo e/ou incenso. Vejamos alguns exemplos:

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Bem, pensemos: pois, quais as vantagens destas aras? Basicamente duas no meu ver, 1) são altares funcionais para oferendas de médio e pequeno porte (pois oferendas de grande porte, ou mesmo, como nos tempos antigos, para imolação de vítimas um altar mais baixo é mais adequado, vd o grego βωμός ou as pedras sacrificiais chatas, mesmo na área dos Lusitanos e Galaicos); e 2) pequenos e móveis (apesar de nem sempre haverem sido concebidos para serem deslocados). No geral, eram feitas de granito ou pedras similares, esculpidas numa peça única.

O que podemos aproveitar hoje? Alguém pode argumentar que tais aras tiram o ar "rústico" do culto pré-romano, que são desnecessárias para um culto puramente céltico, etc. Bem, isto fica com cada um. Acredito que são interessantes hoje como altares votivos de fácil acesso, confecção. Quer ver?

Fazendo uma Ara.

1) Os materiais modernos mais acessíveis (pelo menos por aqui onde moro) são o gesso e o cimento. É óbvio que o gesso só serve para interiores, enquanto o simento é ideal para estar exposto ao tempo, além de ser infinitamente mais durável. Se acha fácil para vender pequenas meias-colunas quadradas em casas de jardinagem e/ou decoração de ambientes, que simulam perfeitamente uma ara. Claro, é sempre uma alternativa arranjar um pesadíssimo bloco de pedra e esculpir! Wink

2) Definir uma superfície para registro, se for o caso, alisar, etc. E fazer o registro. Aqui se pode escolher escrever em português, céltico (lusitano-galaico-celtibérico) ou, caso se deseje, latim mesmo.

3) Depois é realizar uma cerimônia simples de "entrega" (caso tenha sido prometida) e/ou de consagração da mesma, tendo seu primeiro uso efetivo.

Um teste.

Bem, eu consegui uma coluna de gesso quadrada de 90cm. Há tempos que pensava em um altar decente para minha sala e isto soou bem. Bem, o corpo da coluna era todo feito como que em blocos quadrados - que fiz? Comprei gesso, fiz uma massa, e alisei um trecho do corpo. Decidi alisar o mesmo trecho nos quatro lados. Ora, eu nunca havia mexido com gesso antes (minha mulher ajudou-me, para minha sorte) e não ficou lá "Bem Feito"... Depois de 3 dias secando, aproximadamente, dei uma lixada básica e fiz os registros. Decidi fazer 4 registros (?). Um em português, outro em lusitano-galaico, outro em latim e outro em grego; segue as fotos:

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Em português AOS DEVSES E DEVSAS DOS NOSSOS ANCESTRAIS M·D·F·C·C·V

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Em latim DEIS DEABVSQVE NOSTRVM MAIORVM

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Em Lusitano-Galaico DEVOBO INDI DEVABO ASROM SENAECOM (para dēvobo indi dēvābo asrōm senaecōm, devia ter posto a conjunção como na ara de Viseu, onde se supõe ser IGO < conjunção obscura de ser entendida a partir de *ekwe... outra coisa controversa é o pronome possessivo da 1ª pessoa do plural no genitivo, asrōm > *ansrōm - a alternativa seria **ansonōm, construído a partir do genitivo *ansom - "de nós", ou uma forma inspirada no gaélico suithar "vosso" < *swestero- que daria *snīstero- ou *anstero- que também daria o irlandês ar, "nosso")

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Em grego ΘΕΟΙΣ ΚΑΙ ΘΕΑΙΣ ΗΜΕΤΕΡΩΝ ΠΡΟΓΟΝΩΝ (para θεῖος και θεῖας ἡμετερων προγονῶν).

Que tal? Críticas, dúvidas, sugestões?

M· Diniz Nemetios
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